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Cachola Literária

Uma declaração de amor ao mundo mágico dos livros

Nem Dan Brown, nem E. L. James: a sensação do mercado editorial é o estreante Robert Galbraith, autor de um romance policial muito elogiado.



Se você não o conhece, fique tranquilo. Robert Galbraith não existe. O escritor é um pseudônimo de J. K. Rowling, autora da série Harry Potter. O segredo, mantido desde o lançamento do romance The cuckoo’s calling por Galbraith, foi desvendado pelo jornal Sunday Times depois que um repórter recebeu uma dica anônima pelo Twitter. Análises linguísticas feitas por computadores mostraram grandes semelhanças entre os estilos de Rowling e Galbraith. Os dois também tinham o mesmo agente e o mesmo editor. No último domingo (14), Rowling admitiu que era a verdadeira autora do livro. “Eu esperava manter esse segredo por mais tempo, porque ser Robert Galbraith foi uma experiência libertadora”, disse Rowling.

Num mercado em que milhares de anônimos buscam a fama, o que leva a autora mais popular do mundo a buscar o anonimato?

Observar as reações ao lançamento de Morte súbita, o primeiro romance adulto de Rowling, pode ser um bom ponto de partida para ensaiar uma resposta a essa pergunta. Lançado em setembro do ano passado, o livro foi recebido com uma reação morna da crítica e dos leitores. Foram raras as resenhas, profissionais ou amadoras, que não o compararam à obra anterior da autora. O maior defeito de Morte súbita era não ser Harry Potter. Qualquer texto adulto que a autora escrevesse, dali em diante, ficaria à sombra do maior sucesso infantojuvenil de todos os tempos.

Aos 47 anos, J. K. Rowling poderia dedicar o resto de sua vida a espremer Harry Potter até a última gota, mesmo depois de ter dado à história o final que desejava. Muitos escritores fazem isso com séries de sucesso, o que é péssimo para os fãs, para os personagens e para o próprio autor. A decisão de escrever novos livros, em gêneros diferentes, é uma demonstração de respeito de Rowling à sua obra e a seus leitores. Recomeçar a carreira, com outro nome, é uma tentativa de permitir que seus novos romances não sofram com comparações despropositadas. Quando uma obra se torna maior do que o próprio autor, o autor tem o direito de se recriar.

Os autores e suas máscaras

Escrever sob um pseudônimo é uma prática comum. Alguns autores o fazem sem esconder sua identidade. Fãs do irlandês John Banville sabem que ele assina romances policiais como Benjamin Black. A best-seller Nora Roberts adota o pseudônimo J. D. Robb para suas histórias de suspense. Algumas capas de livros estampam os dizeres “Nora Roberts escrevendo como J. D. Robb”, para não deixar dúvidas sobre a autoria. Nesses casos, o pseudônimo serve apenas para que o leitor saiba que lerá algo de um gênero diferente daquele ao que o autor costuma se dedicar. Seguindo essa tradição, não é anormal que uma autora infantojuvenil de sucesso decida usar um novo nome para escrever um romance policial.

Há razões menos triviais para recorrer a um pseudônimo. A inglesa Mary Anne Evans (1819-1880), que publicava seus livros como George Eliot, foi uma entre inúmeras autoras que usaram pseudônimos masculinos numa época em que mulheres escritoras não eram levadas a sério. Questionada por jornais ingleses, J. K. Rowling não quis comentar o motivo de ter escolhido um pseudônimo masculino. Não seria a primeira tentativa de evitar que seu gênero afetasse a percepção dos leitores. Ela decidiu assinar os livros da série Harry Potter com as iniciais neutras J. K. no lugar de seu nome, Joanne, depois que um editor a convenceu de que garotos não leriam um livro escrito por uma mulher. (Curiosamente, uma das resenhas de The cuckoo’s calling elogia a maneira detalhada como Robert Galbraith, supostamente um homem de meia idade, descreve roupas femininas.)

Adotar um pseudônimo também pode ser um desafio – um recurso para o autor tentar provar que é capaz de repetir o sucesso do passado apenas com a qualidade de seus textos, sem usar o peso de um nome consagrado. Foi o que levou Stephen King a escrever livros com o pseudônimo Richard Bachman quando já era conhecido por seus romances de terror. A farsa de King foi muito mais engenhosa do que a de Rowling. Ele chegou a convencer um amigo de seu agente literário a posar para uma foto fingindo ser Richard Bachman. Disposto a descobrir se seu sucesso se devia à sorte ou ao talento, King publicou cinco livros como Bachman em sete anos antes de ser descoberto. Um deles chegou aos 28 mil exemplares. O experimento provou que o sucesso não era sorte, mas que o nome consagrado ajudava: depois que a verdadeira identidade do autor foi revelada, o livro vendeu dez vezes mais.

De volta ao anonimato

O recomeço de J. K. Rowling como Robert Galbraith foi modesto, porém honroso. Apesar de ter vendido apenas 1500 cópias desde seu lançamento, em abril, The cuckoo’s calling ganhou resenhas muito positivas. Galbraith chegou a ser comparado a P. D. James, a mais respeitada autora de suspense da atualidade. O livro também recebeu elogios da escocesa Val McDermid, outra autoridade no gênero. Na Amazon, uma resenha publicada por uma leitora em 7 de julho quase matou a charada: “Este livro é tão bem escrito que eu suspeito que, daqui a alguns anos, vamos descobrir que o autor é o pseudônimo de algum autor famoso.” Sem a pressão de ser comparado a Harry Potter, The cuckoo’s calling foi muito mais elogiado do que Morte súbita.

A exemplo do que ocorreu com Stephen King e seu alter-ego, a descoberta da identidade verdadeira de Robert Galbraith fará muito bem às vendas de seus livros. The cuckoo’s calling já chegou ao topo da lista de mais vendidos da Amazon. Com essa performance e os elogios sinceros a Galbraith, tornou-se um sucesso de público e crítica.

Uma continuação do livro deve ser lançada em 2014, com o mesmo pseudônimo – e com expectativas dignas de um novo lançamento de J. K. Rowling. Robert Galbraith agora é uma celebridade mundial. Vigiada pelos jornalistas, dificilmente Rowling conseguirá criar outro pseudônimo secreto. Alguns dirão que é o preço da fama. Mas talvez ela merecesse o sossego de um recomeço. Talvez todo livro merecesse ser lido em avaliado na sua forma mais pura, descolado da fama do autor.

Em 1952, o poeta chileno Pablo Neruda publicou na Itália o livro anônimo Os versos do capitão. Havia boas razões para o anonimato. Neruda estava se separando de sua mulher, a argentina Delia del Carril, e os poemas do livro eram dedicados à chilena Matilde Urrutia, por quem tinha se apaixonado. Onze anos depois, Neruda publicou o livro no Chile. No prefácio à edição chilena, assumiu a autoria da obra, mas com alguma relutância. Segundo o texto, todos os livros deveriam ser anônimos. “Entrego, pois, este livro sem necessidade de explicá-lo, como se fosse meu ou como se não o fosse: basta que possa andar sozinho pelo mundo e crescer por sua conta. Agora que o reconheço, espero que o seu sangue furioso me reconheça também”, escreveu Neruda. Para um escritor disposto a correr riscos, cada novo livro é uma estreia.


Fonte Por Danilo Venticinque

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Ele sustenta a alcunha de “mestre do terror”, mas está longe de ser unanimidade entre os leitores. Não há dúvidas, entretanto, que Stephen King seja um fenômeno editorial. 



Ao contrário de Fernando Pessoa, Augusto dos Anjos e Franz Kafka – que publicaram somente um livro em vida – King tem várias possibilidades de aparecer nas prateleiras. São mais de 60 obras ao longo de 38 anos de carreira. Sem contar as adaptações para o cinema e a televisão.


O trabalho incessante também rende inúmeras críticas ao escritor norte-americano. Não falta gente para dizer que ele se repete muito em suas histórias, só pretende ganhar dinheiro e que não é o mesmo desde que apresentou Carrie ao mundo. O site Vulture decidiu reunir esta vasta bibliografia e alimentar a polêmica. Em forma de ranking, foram listados quase todos os títulos deste colecionador de best-sellers. On Writing, O Iluminado e Angústia são alguns que aparecem no topo da classificação. Rose Madder – trama sobre uma mulher que enfrenta o marido violento – segura a lanterna.

Confira a lista completa, dos melhores aos piores livros de Stephen King, segundo a Vulture:

1 – A Dança da Morte (The Stand, 1978)
2 – On Writing (2000)
3 – A Coisa (It, 1986)
4 – O Iluminado (The Shining, 1977)
5 – Quatro Estações (Different Seasons, 1982)
6 – Angústia (Misery, 1987)
7 – A Torre Negra 4 – Mago e Vidro (The Dark Tower 4 – Wizard and Glass, 1997)
8 – A Hora do Vampiro (Salem’s Lot, 1975)
9 – A Zona Morta (The Dead Zone, 1979)
10 – Love- a História de Lisey (Liseys’s Story, 2006)
11 – Dança Macabra (Danse Macabre, 1981)
12 – Under the Dome (Idem, 2009)
13 – Tripulação de esqueletos (Skeleton Crew, 1985)
14 – A Torre Negra 1: O pistoleiro (The Dark Tower: The Gunslinger, 1982)
15 – O talismã (The talisman, 1984)
16 – Buick 8 (From Buick 8, 2002)
17 – Eclipse Total (Dolores Claiborne, 1992)
18 – Cemitério maldito (Pet Sematary, 1983)
19 – A Torre Negra : A escolha dos três (The Dark Tower: The Drawing of the three, 1987)
20 – A auto-estrada (Roadwork, 1981)
21 – Sombras da noite (Night Shift, 1978)
22 – Corações na Atlântida (Hearts in Atlantis, 1999)
23 – À espera de um milagre (The Green Mile, 1996)
24 – 22/11/63 (11/22/63,
25 – Carrie: a estranha (Carrie, 1974)
26 – A Torre Negra (The Dark Tower, 2004)
27 – Os olhos do dragão (The eyes of the dragon, 1987)
28 – A metade negra (The dark half, 1989)
29 – Desespero (Desperation, 1996)
30 – The girl who loved Tom Gordon (Idem, 1999)
31 – A Torre Negra: As terras devastadas (The Dark Tower: The Waste Lands, 1991)
32 – Full Dark, No Stars (Full Dark, No Stars,
33 – A Maldição do Cigano (Thinner, 1984)
34 – Cão Raivoso (Cujo, 1981)
35 – A Torre Negra: O vento pelo buraco da fechadura ( Wind through the keyhole, 2012)
36 – Tudo é eventual (Everything is eventual, 2002)
37 - Faithful: Two Diehard Boston Red Sox Fans Chronicle the Historic 2004 Season (Idem, 2005)
38 – A Torre Negra: Os Lobos de Calla (The Dark Tower: Wolves of Calla, 2003)
39 – Ao cair da noite (After the sunset, 2008)
40 – Saco de Ossos (Bag of Bones, 1998)
41 – O Concorrente (The Running Man, 1982)
42 – Pesadelos e Paisagens Noturnas (Nightmares & Dreamscapes, 1993)
43 – A incendiária (The firestarter, 1980)
44 – Depois da meia-noite (Four past midnight, 1990)
45 – Duma Key (Duma Key, 2008)
46 – Christine: o carro assassino (Christine, 1983)
47 – Caminhada da morte (The Long Walk, 1979)
48 – Trocas Macabras (Needful Things, 1992)
49 – A Casa Negra (Black House, 2001)
50 – The Colorado Kid (The Colorado Kid, 2005)
51 – A Hora do Lobisomem (Cycle of the Werewolf, 1983)
52 – Blockade Billy (Blockade Billy, 2010)
53- Celular (Cell, 2006)
54 – Jogo Perigoso (Gerald´s game, 1992)
55 – Blaze (Blaze, 2007)
56 – A Torre Negra: A canção de Susannah (The Dark Tower: The sing of Susannah, 2005)
57 – Livros de Bachman (The Bachman´s book, 1982)
58 – Os justiceiros (The Regulators, 1996)
59 – Insônia (Insomnia, 1994)
60 – O Apanhador de Sonhos (Dreamcatcher, 2001)
61 – Os Estranhos (The Tommyknockers, 1987)
62 – Rose Madder (Rose Madder, 1995)


E para você? Qual é o melhor ou pior livro de Stephen King?

Fontes: Pra Ler, Vulture, Univers Marvel

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Stephen King, mestre do horror moderno, venceu o British Fantasy Award com seu livro Full Dark, No Stars (sem tradução para o português) na categoria Melhor Coletânea, em que concorreu com, entre outros, Paul Finch e Simon Clark.

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‘O Iluminado’ (The Shining, no original), romance escrito por Stephen King em 1977, teve sua tão esperada sequência divulgada oficialmente. Desde 2009 existiam boatos a cerca da publicação, que se chamará Dr. Sleep.

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