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Cachola Literária

Uma declaração de amor ao mundo mágico dos livros


Ao contrário do que muitos pensam, o Halloween não teve suas origens criadas pelos americanos. Apesar de ser uma das principais festividades da terra do Tio Sam, a data adveio de um antigo festival pagão celta, o Samhain, e só foi introduzido lá nos anos de 1845. Já no Brasil, O Dia das Bruxas, como é conhecido popularmente, não tem o mesmo apelo de outros países. O fato se dá muito em conta de não ser uma comemoração religiosa e por também não explorar a própria cultural local, sendo tratado, em algumas ocasiões com certo preconceito e intolerância. 


E no trending topics de outubro: #SaciNão


Lá vão eles! Um tanto de povo partiu vestir uma camisa de uma cor, enquanto outro tanto se enroupa do seu oposto. Essa dança infrene, esse remoinhar sem fim que faz toda gente se concentrar em polos opostos.

Divergências de atitude entre extremos ideológicos não é nem nunca foi novidade alguma para o brasileiro. Não se trata de modismo. A tendência de muros ideológicos é permanente porque para nós, os isolados, a parede que nos divide tem fundações sólidas e indestrutíveis. Poucos são aqueles que espiam acima do muro, senão com o intuito de criticar o que sucede do outro lado.

Assim, apartados de posições antagônicas às nossas, alimentados por conteúdos que reforçam nossas crenças, somos instigados à contenda. Logo, em um cenário que estimula o sectarismo, partimos para caça às bruxas.

Mas querem saber? No final, toda cor de camisa abriga um peito nu. Intolerância é lenha para qualquer clima e arde bem em todas as fogueiras.

A propósito, nesse mês de outubro, enquanto parte da população brasileira está se preparando para vestir roupas horripilantes, dentaduras de vampiro e chapéus de bruxa, a outra parte se declara contrária a isso, pois se ressente da ausência de nossas tradições do povo e do folclore brasileiro.

Não falo de política.

E não é que a danada da polarização alcançou o território selvagem da festividade?

No Brasil, o Halloween ou Dia das Bruxas nunca teve um significado muito expressivo, tampouco circula na lista de feriados tradicionais como acontece nos Estados Unidos, onde a data é a segunda mais celebrada, ficando atrás apenas do Natal.

A festividade celebrada nos Estados Unidos e em diversos países do mundo tem sua origem creditada a um antigo festival pagão, o festival celta de Samhain, termo que designava o fim do verão na Europa Ocidental. Sua celebração durava três dias e começava no dia 31 de outubro, sendo uma homenagem ao “Rei dos Mortos”.

O Halloween, assim, não nasceu nos Estados Unidos, mas foi introduzido na cultura norte-americana a partir de 1845, quando mais de um milhão de pessoas que fugiam da Grande Fome foram forçadas a imigrar para o continente, levando consigo suas histórias e tradições.

Mas a propósito do Halloween do Tio Sam há, entre seus detratores brasileiros, quem entenda que a tradição foi trazida pelo Imperialismo Americano como desculpa para vender suas tralhas. Coisa de gringo para fomentar o comércio.

Tal é a resistência que muitos municípios brasileiros decretaram a data de 31 de outubro como “Dia do Saci Pererê”, de maneira a coibir a celebração do Halloween no âmbito regional.

Essa não foi a primeira vez que uma autoridade tentou desinstitucionalizar o Halloween através de normatização. Em meados do século VIII, o Papa Gregório 3º mudou a data do Dia de Todos os Santos de 13 de maio para 1º de novembro, tornando obrigatório a celebração da data católica, numa obvia tentativa de cristanizar o Samhain.

Mudou foi o nome.

O nome da atual, Halloween, nasceu no Reino Unido e derivou de “All Hallows’ Eve”, onde “hallow” é um termo antigo para designar santo e “eve” é o mesmo que véspera.

Certo é que, o Dia das Bruxas, como tantas outras celebrações da cultura norte-americana, possuí forte apelo comercial e tem de fato atraído maior número de jovens, crianças e adultos a cada ano que passa. Estabelecer o Dia do Saci é, portanto, uma forma de se oferecer ao povo a alternativa de festejar manifestações de sua própria cultura.

Não obstante, em meio ao discurso da alternativa, logo se nota o broto da intolerância espalhando rama pelo muro. Não contentes em simplesmente não participar, algumas pessoas sentem a necessidade de atacar aquilo que se encontra fora do âmbito de suas crenças.

No Rio de Janeiro, nos anos anteriores, foram espalhadas faixas em oposição a celebração do Halloween, pedindo a retomada das tradições brasileiras. Como sói acontecer, a prática enveredou para o fanatismo e rapidamente tomou forma a intolerância religiosa quando algumas faixas traziam os dizeres: “Halloween é satanismo. Brasil, país cristão. ”

Há ainda aqueles que apoiam e incentivam a festividade do Dia das Bruxas, mas opinam por fantasias que caracterizam os seres sobrenaturais do folclore brasileiro, como o próprio Saci, o Caipora, o Curupira, entre outras criaturas míticas que aprontavam travessuras para as pessoas que cruzassem seu caminho e não lhes ofertassem bebida ou fumo.

Trick ou treat!

Toda cor de camisa abriga um peito nu.

Sim. Divergência de atitudes entre extremos ideológicos não é novidade para o brasileiro, tem quem goste e quem despreze, inclusive, o Carnaval. Não é a primeira, nem será a última vez, portanto, que o brasileiro polarizado perde uma boa oportunidade de festejar, de rir e se descontrair com os amigos, para discutir o seis por meia dúzia com direito à réplica e tréplica.


Sobre o autor: M. R. Terci é escritor, roteirista e poeta. Antes de se dedicar exclusivamente a escrita, foi advogado com especialização em Direito Militar e mestrado em Direito Internacional, Ciência Política, Economia e Relações Internacionais. É o criador da série O Bairro da Cripta, lançada anteriormente pela LP-Books e que reforçou seu nome como um dos principais autores brasileiros de horror da atualidade. Com base em fatos históricos, Terci substitui os castelos medievais pelos casarões coloniais, as aldeias de camponeses pelas cidadezinhas do interior, os condes pelos coronéis e as superstições por elementos de nosso folclore e crendices populares, numa verdadeira transposição do gótico para a realidade brasileira. Seus livros não são apenas para os fãs do gênero horror. Seu penejar é para quem aprecia uma narrativa envolvente, centrada na experiência subjetiva dos personagens mediante as possibilidades que o contexto sobrenatural de suas estórias permite.

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1 comentários
O Dia das Bruxas chegou, pessoal!

E o que vocês programaram para o dia de hoje? Já sei: muitos doces, risadas macabras, maratona de séries, sessão de pipoca com direito a clássicos do cinema. Seja qual for a sua escolha tenho certeza que dentre tantas opções pelo menos um livro de suspense ou terror faz parte dessa lista. Caso esteja procurando por indicações, separei algumas dicas de leitura para você curtir seu Halloween. Vamos lá!



1- Marina – Carlos Ruiz Zafón

Neste livro, Zafón constrói um suspense envolvente em que Barcelona é a cidade-personagem, por onde o estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, passa todo o seu tempo livre, andando pelas ruas e se encantando com a arquitetura de seus casarões. É um desses antigos casarões aparentemente abandonados que chama a atenção de Óscar, que logo se aventura a entrar na casa. Lá dentro, o jovem se encanta com o som de uma belíssima voz e por um relógio de bolso quebrado e muito antigo. Mas ele se assusta com uma inesperada presença na sala de estar e foge, assustado, levando o relógio. Dias depois, ao retornar à casa para devolver o objeto roubado, conhece Marina, a jovem de olhos cinzentos que o leva a um cemitério, onde uma mulher coberta por um manto negro visita uma sepultura sem nome, sempre à mesma data, à mesma hora. Os dois passam então a tentar desvendar o mistério que ronda a mulher do cemitério, passando por palacetes e estufas abandonadas, lutando contra manequins vivos e se defrontando com o mesmo símbolo - uma mariposa negra - diversas vezes, nas mais aventurosas situações por entre os cantos remotos de Barcelona. Tudo isso pelos olhos de Óscar, o menino solitário que se apaixona por Marina e tudo o que a envolve, passando a conviver dia e noite com a falta de eletricidade do casarão, o amigável e doente pai da garota, Germán, o gato Kafka, e a coleção de pinturas espectrais da sala de retratos. Em Marina, o leitor é tragado para dentro de uma investigação cheia de mistérios, conhecendo, a cada capítulo, novas pistas e personagens de uma intrincada história sobre um imigrante de Praga que fez fama e fortuna em Barcelona e teve com sua bela esposa um fim trágico. Ou pelo menos é o que todos imaginam que tenha acontecido, a não ser por Óscar e Marina, que vão correr em busca da verdade - antes de saber que é ela que vai ao encontro deles, como declara um dos complexos personagens do livro.


2- Boneca de Ossos - Holly Black

Poppy, Zach e Alice sempre foram amigos. E desde que se conhecem por gente eles brincam de faz de conta – uma fantasia que se passa num mundo onde existem piratas e ladrões, sereias e guerreiros. Reinando soberana sobre todos esses personagens malucos está a Grande Rainha, uma boneca chinesa feita de ossos que mora em uma cristaleira. Ela costuma jogar uma terrível maldição sobre as pessoas que a contrariam. Só que os três amigos já estão grandinhos, e agora o pai de Zach quer que ele largue o faz de conta e se interesse mais pelo basquete. Como o seu pai o deixa sem escolha, Zach abandona de vez a brincadeira, mas não conta o verdadeiro motivo para as meninas. Parece que a amizade deles acabou mesmo...




3- Caixa de Pássaros - Josh Malerman

Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Quatro anos depois de tudo ter começado, restaram poucos sobreviventes, incluindo Malorie e seus dois filhos pequenos. Morando numa casa abandonada próxima ao rio, ela sonha há tempos em fugir para um local onde sua família possa ficar em segurança. Mas a jornada que têm pela frente será assustadora: 32 quilômetros rio abaixo em um barco a remo, vendados, contando apenas com a inteligência de Malorie e os ouvidos treinados das crianças. Uma decisão errada e eles morrem. E ainda há alguma coisa os seguindo. Será que é um homem, um animal ou uma criatura desconhecida?


4- Loney - Andrew Michael Hurley

Quando os restos mortais de uma criança são descobertos durante uma tempestade de inverno numa extensão da sombria costa da Inglaterra conhecida como Loney, Smith é obrigado a confrontar acontecimentos terríveis e misteriosos ocorridos quarenta anos antes, quando ainda era criança e visitou o lugar. À época, a mãe de Smith arrastou a família para aquela região numa peregrinação de Páscoa com o padre Bernard, cujo antecessor, Wilfred, morrera pouco tempo antes. Cabia ao jovem sacerdote liderar a comunidade até um antigo santuário, onde a obstinada Sra. Smith crê que irá encontrar a cura para o filho mais velho, um garoto mudo e com problemas de aprendizagem. O grupo se instala na Moorings, uma casa fria e antiga, repleta de segredos. O clima é hostil, os moradores do lugar, ameaçadores, e uma aura de mistério cerca os desconhecidos ocupantes de Coldbarrow, uma faixa de terra pouco acessível, diariamente alagada na alta da maré. A vida dos irmãos acaba se entrelaçando à dos excêntricos vizinhos com intensidade e complexidade tão imperativas quanto a fé que os levou ao Loney, e o que acontece a partir daí se torna um fardo que Smith carrega pelo resto da vida, a verdade que ele vai sustentar a qualquer preço. Com personagens ricos e idiossincráticos, um cenário sombrio e a sensação de ameaça constante, Loney é uma leitura perturbadora e impossível de largar, que conquistou crítica e público. Uma história de suspense e horror gótico, ricamente inspirada na criação católica do autor, no folclore e na agressiva paisagem do noroeste inglês.


5- A menina submersa - Caitlín R. Kiernan

A Menina Submersa - Memórias é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por sereias e licantropos. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de camadas, mitos e mistério, beleza e horror, em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do 'real' sobre o 'verdadeiro' e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma 'obra-prima do terror' da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica, e vencedor do importante Bram Stoker Awards 2013. A autora se aproxima de grandes nomes como Edgar Allan Poe e HP Lovecraft, que enxergaram o terror em um universo simples e trivial - na rua ao lado ou nas plácidas águas escuras do rio que passa perto de casa -, e sabem que o medo real nos habita. O romance evoca também as obras de Lewis Carrol, Emily Dickinson e a Ofélia, de Hamlet, clássica peça de Shakespeare, além de referências diretas a artistas mulheres que deram um fim trágico à sua existência, como a escritora Virginia Woolf.


Happy Halloween!
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Oi,queridos! Hoje venho anunciar o resultado da promoção de Halloween. Apenas um sortudo(a) vai receber em casa os livros: Kit Ladrão de Almas, Kit O Clã dos Magos, Pandora e Imortal-Histórias de Amor Eterno.



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Preparados para o mês mais aterrorizante de todos? Então responda imediatamente: Doces, livros ou travessuras? LIVROS!!! Venham participar dessa festa conosco e concorram a 4 livros maravilhosos! 



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Oi, eu sou Zilda Peixoto! Comando a Cachola desde 2009. Aqui compartilho um pouquinho sobre meu universo particular: resenhas de livros, séries, filmes, música boa, paixão por plantas, pugs, decoração afetiva, maternidade real e o que mais der na cachola..rs.. Sejam muito bem vindos!!!

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