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Cachola Literária

Uma declaração de amor ao mundo mágico dos livros

Senhor, dê-me serenidade para aceitar As coisas que não posso mudar, Coragem para mudar as coisas que não posso aceitar E sabedoria para esconder os corpos daquelas pessoas Que eu tiver que matar por Estarem me enchendo o saco. Também me ajude a ser cuidadoso com os Calos em que piso hoje, pois eles podem Estar conectados aos sacos que terei que Puxar amanhã. Ajude-me, sempre, a dar 100% no meu trabalho... 12% na segunda-feira; 23% na terça-feira; 40% na quarta-feira; 20% na quinta-feira; 5% na sexta-feira. E...Ajude-me sempre a lembrar, quando Estiver tendo um dia realmente ruim e todos Parecerem estar me enchendo o saco, que São necessáriso 42 músculos par socar alguém e apenas 4 para estender o meu dedo médio e mandá-lo para aquele lugar... (Ah...Veríssimo.Sempre espirituoso.Adoro!!!)
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Este livro está longe de ser um lançamento, mas resolvi fazer uma resenha sobre ele porque definitivamente,eu adoro esse tipo de gênero. Sempre li crônicas. E sempre gostei das crônicas escritas pelo Luis Fernando Veríssimo. Elas são engraçadas, inteligentes, e muitas vezes educativas. Acho que é esse o ponto em Comédias Para Ler na Escola. O brasileiro não lê muito, isso é comprovado por pesquisas. E as leituras que indicam na escola não ajudam a formar verdadeiros leitores. Neste livro, a ideia é que leitura pode ser agradável, e nós sabemos que realmente é. As crônicas são selecionadas para o público alvo, que são os adolescentes, então elas não são difíceis e são divertidas. Elas mostram porque ler é tão interessante para algumas pessoas, como eu. O livro é dividido em capítulos e cada um tem em torno de cinco ou seis crônicas. Li algumas com meu primo de 9 anos, que passa bastante tempo comigo e que eu vivo tentando fazer com que leia, geralmente sem muito sucesso. Mas dessa vez ele leu junto comigo e para mim e gostou. Chegou até a ler uma das crônicas para o irmão mais novo, que não viu muita graça, mas tudo bem. Eu não podia querer um milagre, não é? Dizer que gostei do livro acaba sendo uma redundância. Até hoje gostei de tudo que li do Veríssimo e pretendo continuar lendo. É uma boa pedida quando você quer rir com o que lê. São muitas crônicas interessantíssimas e engraçadas que,fica até difícil escolher uma só.Mas,escolho " PUDOR"... Certas palavras nos dão a impressão de que voam, ao saírem da boca. "Sílfide", por exemplo. É dizer "Sílfide" e ficar vendo suas evoluções no ar, como as de uma borboleta. Não tem nada a ver com o que a palavra significa. "Sílfide", eu sei, é o feminino de "silfo", o espírito do ar, e quer mesmo dizer uma coisa diáfana, leve, borboleteante. Mas experimente dizer "silfo". Não voou, certo? Ao contrário da sua mulher, "silfo" não voa. Tem o alcance máximo de uma cuspida. "Silfo", zupt, plof. A própria palavra "borboleta" não voa, ou voa mal. Bate as asas, tenta se manter aérea mas choca-se contra a parede. Sempre achei que a palavra mais bonita da língua portuguesa é "sobrancelha". Esta não voa mas paira no ar, como a neblina das manhãs até ser desmanchada pelo sol. Já a terrível palavra "seborréia" escorre pelos cantos da boca e pinga no tapete. "Trilhão" era uma palavra pouco usada, antigamente. Uma pessoa podia nascer e morrer sem jamais ouvir a palavra "trilhão", ou só ouvi-la em vagas especulações sobre as estrelas do Universo. O "trilhão" ficava um pouco antes do infinito. Dizia-se "trilhão" em vez de dizer "incalculável" ou "sei lá". Certa vez (autobiografia) tive de responder a uma questão de Geografia no colégio. Naquele tempo a pior coisa do mundo era ser chamado a responder qualquer coisa no colégio. De pé, na frente dos outros e — o pior de tudo — em voz alta. Depois descobri que existem coisas piores, como a miséria, a morte e a comida inglesa. Mas naquela época o pior era aquilo. "Senhor Verissimo!" Era eu. Era irremediavelmente eu. "Responda, qual e a população da China?". Eu não sabia. Estava de pé, na frente dos outros, e tinha que dizer em voz alta o que não sabia. Qual era a população da China? Com alguma presença de espírito eu poderia dizer: "A senhora quer dizer neste exato momento?", dando a entender que, como o que mais acontece na China é nascer gente, uma resposta exata seria impossível. Mas meu espírito não estava ali. Meu espírito ainda estava em casa, dormindo. "Então, senhor Verissimo, qual é a população da China?" E eu respondi: — Numerosa. Ganhei zero, claro. Mas "trilhão", entende, era sinônimo de "numeroso". Não era um número, era uma generalização. Você dizia "trilhão" e a palavra subia como um balão desamarrado, não dava tempo nem para ver a sua cor. E hoje não passa dia em que não se ouve falar em trilhões. O "trilhão" vai, aos poucos, se tornando nosso íntimo. É o mais novo personagem da nossa aflição. Quantos zeros tem um trilhão? Doze, acertei? Se os zeros fossem pneus, o trilhão seria uma jamanta daquelas de carregar gerador para usina atômica parada. Felizmente vem aí uma reforma e outra moeda, com menos zeros e mais respeito. Senão chegaríamos à desmoralização completa. — E o troco do meu tri? — Serve uma bala? Desconfio que o que apressará a reforma é a iminência do quatrilhão. "Quatrilhão" é pior que "seborréia". Depois de dizer "quatrilhão" você tem que pular para trás, senão ele esmaga os seus pés. E "quatrilhão" não é como, por exemplo, "otorrino", que cai no chão e corre para um canto. "Quatrilhão" cai, pesadamente, no chão e fica. Você tenta juntar a palavra do chão e ela quebra. Tenta remontá-la – fica "trãoliqua" e sobra o agá. A mente humana, ou pelo menos a mente brasileira, não está preparada para o "quatrilhão". As futuras gerações precisam ser protegidas do "quatrilhão". As reformas monetárias, quando vêm, são sempre para acomodar as máquinas calculadoras e o nosso senso do ridículo, já que caem os zeros mas nada, realmente, muda. A próxima reforma seria a primeira motivada, também, por um pudor lingüístico. No momento em que o "quatrilhão" se instalasse no nosso vocabulário cotidiano, mesmo que fosse só para descrever a dívida interna, alguma coisa se romperia na alma brasileira. Seria o caos. E "caos", você sabe. É uma palavra chicle-balão. Pode explodir na nossa cara.
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Nesta altura da vida já não sei mais quem sou... Vejam só que dilema!!! Na ficha da loja sou CLIENTE, no restaurante FREGUÊS, quando alugo uma casa INQUILINO, na condução PASSAGEIRO, nos correios REMETENTE, no supermercado CONSUMIDOR. Para a Receita Federal CONTRIBUINTE, se vendo algo importado CONTRABANDISTA. Se revendo algo, sou MUAMBEIRO, se o carnê tá com o prazo vencido INADIMPLENTE, se não pago imposto SONEGADOR. Para votar ELEITOR, mas em comícios MASSA , em viagens TURISTA , na rua caminhando PEDESTRE, se sou atropelado ACIDENTADO, no hospital PACIENTE. Nos jornais viro VÍTIMA, se compro um livro LEITOR, se ouço rádio OUVINTE. Para o Ibope ESPECTADOR, para apresentador de televisão TELESPECTADOR, no campo de futebol TORCEDOR. Se sou corinthiano, SOFREDOR. Agora, já virei GALERA. (se trabalho na ANATEL , sou COLABORADOR ) e, quando morrer... uns dirão... FINADO, outros... DEFUNTO, para outros... EXTINTO , para o povão... PRESUNTO... Em certos círculos espiritualistas serei... DESENCARNADO, evangélicos dirão que fui... ARREBATADO... E o pior de tudo é que para todo governante sou apenas um IMBECIL !!! E pensar que um dia já fui mais EU.
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"Formei-me em Letras e na bebida busco esquecer. Mas só bebo nos fins de semana".
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Trissexual As amigas se contavam tudo, tudo, do mais banal ao mais íntimo. Eram amigas desde pequenas e não passavam um dia sem se falar. Quando não se encontravam, se telefonavam. Cada uma fazia um relatório do seu dia e do seu estado, e não escapava uma ida ao super, um corrimento, uma indagação filosófica ou uma fofoca nova. Deus e todo o mundo, literalmente. Janice, Marília e Branca. Branca era a mais nova, mas já casara e já enviuvara, o que despertara um certo pânico protetor nas outras duas. Tudo acontecia rápido demais para a Branquinha, que precisava ser protegida da sua vida precipitada, da sua vida vertiginosa. Por isso Janice telefonou para Marília quando soube que a Branquinha estava namorando um homem chamado Futre, Amado Futre, Rosimar Amado Futre, e que, como se não bastasse isto, ele declarara à Branquinha que era trissexual. – Marília de Deus – disse a Janice – o que é trissexual?! – Bom… Bi é quando transa com os dois sexos. – Isso eu sei. – Tri deve ser quando transa com dois sexos e com bicho. Janice teve uma visão da Branquinha na cama com Rosimar Amado Futre, o porteiro do prédio e uma cabra. Ou um cabrito? - Bichos dos dois sexos? – E eu vou saber?! – gritou a Marília. Era preciso proteger a Branquinha. Mas do quê, exatamente? – O que é trissexual? – perguntou a Janice ao seu marido Rubião. – Ahn? – disse Rubião, acordando. Rubião dominara o truque de segurar um jornal na frente do rosto e dormir sem que a mulher notasse. Janice não entendia como um homem que lia tanto jornal podia ser tão mal informado. – O que é trissexual? – É… é… – Volta pro seu jornal, Rubião. Apesar de ser a mais moça das três, Branquinha fora a primeira a perder a virgindade. Já fizera tudo que pode ser feito sobre uma cama. Ou, no caso dela, sobre uma cama, sobre uma mesa de cozinha, jantar ou pingue-pongue, sobre um estrado, na praia, no meio do campo, uma vez até no último banco de um ônibus intermunicipal – e sempre contando tudo, tudo, às outras duas. Que também contavam tudo que lhes acontecia, só não tinham tanto para contar. A Janice contava sua vida com o Rubião, que só transava nos sábados e vésperas de feriado. A Marília, que ainda não se casara e namorava um dentista chamado João, inventava, para não pensarem que ela também não tinha uma vida sexual. Mas nem as invenções mais criativas da Marília se igualavam às experiência da Branquinha. E agora um trissexual chamado Amado Futre! Branquinha talvez estivesse indo longe demais. Era preciso proteger a Branquinha. Mas apesar de vários avisos (“Olhe lá, hein Branquinha?”) a Branquinha concordou em passar um fim de semana na serra com o Rosimar Amado Futre. E na volta, não telefonou para contar tudo, como ficara combinado. Teria lhe acontecido alguma coisa? Ela estaria num hospital, com um deslocamento, depois do que o Futre lhe fizera? Mordida por algum animal, nos arroubos da paixão? Janice e Marília não se contiveram, invadiram o apartamento de Branquinha e exigiram um relato completo. Mas cada pergunta sobre o fim de semana, Branquinha respondia “Nem te conto”. E não contou mesmo. Depois da experiência com Rosimar Amado Futre, estava tão na frente das outras que não tinham mais o que conversar. Não tinham mais pontos de referência, era isso. Marília perguntou ao namorado João, o dentista, o que era trissexual. – Tri?! – É. Tri em vez de bi. – Bi?! – Esquece, João. (Luis Fernando Veríssimo in Sexo na Cabeça – Editora Objetiva)
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Oi, eu sou Zilda Peixoto! Comando a Cachola desde 2009. Aqui compartilho um pouquinho sobre meu universo particular: resenhas de livros, séries, filmes, música boa, paixão por plantas, pugs, decoração afetiva, maternidade real e o que mais der na cachola..rs.. Sejam muito bem vindos!!!

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