Uma adolescente. Um padre. Uma confissão. Uma história inacreditável para os ouvidos de uma garota. Um inesperado desfecho para um padre temente. Com uma narrativa sagaz e repleta de sensualidade, Sidney Nicéas vai fundo na alma de um padre atormentado pela sua prórpia natureza sexual, frente a frente com uma adolescente virgem decidida a tê-lo como "o primeiro" da sua vida. Existe homem santo? Surpreenda-se com "A Grande Ilusão"...
Tantas histórias já tiveram como pano de fundo a corrupção clerical e a inversão dos valores praticados por integrantes da igreja independentemente, de qual religião estejamos falando. A primeira sensação que tive ao ler o primeiro capítulo de A Grande Ilusão foi relembrar um dos clássicos da literatura universal: O crime do Padre Amaro de Eça de Queiroz, romance pelo qual tenho imenso apreço. Imediatamente, pude notar que as semelhanças eram pouquíssimas.
Dentre
elas temos a figura de um padre que se vê encurralado pelas investidas de uma
bela virgem. Assim como na história de Padre Amaro e Amélia, em A grande Ilusão
conhecemos a história de padre Hortêncio Severones e a bela Samara. Porém, em A
grande Ilusão o foco narrativo é outro. A narrativa explora os conflitos e as
inseguranças enfrentadas pelo padre.
Sidney
Nicéas cria de maneira surpreendente uma história onde as verdades absolutas,
os dogmas cultivados pela igreja católica são expostos de forma direta, sem
rodeios. A narrativa possui veracidade apesar de se tratar de uma história
ficcional. É possível que o leitor se envolva diretamente com cada fato narrado
pelo padre. Tudo se dá através de uma confissão de Padre Hortêncio a jovem
Samara.
Durante
114 páginas, o leitor é convidado a refletir sobre assuntos polêmicos como sexo,
celibato, corrupção e tantos outros assuntos inerentes à igreja. A santidade
questionada por fiéis e pelos próprios representantes da igreja é abordada com
muita clareza e questiona o leitor a todo o momento como idealizamos a
santidade desses representantes.
Existe
homem santo? Que espécie de verdade é essa que preservamos e construímos ao longo
dos tempos? Padre Hortêncio é a figura
simbólica dessa contradição. A narrativa
é curta e impactante. Com um final surpreendente, Sidney Nicéas nos contempla
com uma história cheia de verdades, não absolutas, e sim questionadoras.
A
Grande Ilusão é uma obra que disseca o lado oculto do ser humano, no caso
representado por padre Hortêncio. Temos uma ideia do que deveríamos ser e como
a sociedade espera que sejamos. Por esse véu de mentiras e aparências, o ser
humano vai omitindo a sua verdadeira identidade. Os vícios a qual somos reféns
originam normalmente da nossa negligência de aceitar como realmente somos.
Sidney
Nicéas narra detalhadamente os conflitos vivenciados por padre Hortêncio
durante toda sua vida dedicada à igreja. A maneira como o autor expõe a
fragilidade do personagem é um dos pontos mais brilhantes de toda a narrativa. A
leitura é fácil e muito rápida. Os personagens são bem construídos e a
narrativa é bem desenvolvida. O livro possui uma linda diagramação. Em todas as
páginas encontramos ilustrações no início e no final de cada página. A ilustração da capa condiz perfeitamente com o conteúdo narrado. A editora
Giostri está de parabéns pela revisão e por todo o trabalho gráfico.
Recomendo
a leitura a todos que gostam de uma boa história que reúne conflitos,
questionamentos e que leva o leitor a refletir sobre as verdades absolutas impostas pela sociedade.
FICHA TÉCNICA
A Grande Ilusão
Autor: Sidney Nicéas
Editora: Giostri
Páginas: 114
ISBN: 9788581081212




