O tempo e eu
Assumindo a condição de infinitude, o tempo foi requerer ao seu criador o seu direito reservado de ser quem é e a plena justificação de suas horas prestadas de serviços gratuitos.
Questionou. Tornou-se os por ques em dilemas, onde só quem teria a
resposta seria o seu mais chegado Kairós. Duvidou da física que a quantificou-o
em movimento analógico, desenvolvendo assim um diagnóstico psicossomático,
passando a assumir uma condição meramente humana para as análises de um Tal Dr.
Saturno, senhor de tudo que cabe no espaço, sem as designadas linhas das
certezas contextuais.
Chorar ao mundo, foi a maneira mais fácil que encontrou para
demonstrar suas fragilidades. Juntou-se aos misticismos de uma tragédia próxima
e aos ritos de uma geração desenfreada em comunhões aqui ou acolá. Dormiu o
sono dos inocentes e massificou entre as construções de recônditos
subconscientes, ao qual o mundo depreciou entre terapias e psicanalises.
Procurou ainda entre as sessões de psicografias, cartas escondidas de
sua senhora mãe Gaia, que deixou-se morrer quando os seus filhos feitos em
carne humana, entronizaram ao mundo seus reis particulares e seus temidos
presidentes. Sábia ela que seu organismo nunca mais seria o mesmo com a miséria
que um dia lhe entregariam no banquete da noite seguinte.
Encontrou seu fim onde havia promessa de vida abundante. Viu sua morte
tão próxima que não sobraria “tempo” de compor a sua melodia psicobiografica.
Não teria com quem compartilhar cartas filosóficas. Ensaios metodológicos e
menos ainda artigos fenomenológicos. Teve que se acostumar com o que diriam e
inventariam a seu respeito. Temia aos contos de escritores “moderninhos” e roía
de ódio pelas comparações paradoxais que moralistas pré-contemporâneos iram
argumentar em seus cultos.
Foi se confortando, juntando suas coisinhas que espalhara pelos cantos
subversivos e juntando tudo dentro de um grande saco desgostoso e apertado em
meio a escombros e nucleares. Concentrou-se apenas em pegar tudo, não deixar
nada como herança. Tornou-se egoísta. Eternizou o fim dos tempos, seus filhos
mais novos e lançou sobre o que viesse depois dele a maldição de terem que
aprender a serem homens.
Antes deles, só houve um dia de choro e ranger de dentes. Após eles,
todos estariam sucumbidos a essa façanha pregada em evangelhos particulares. O
mundo sem o tempo, seria a partir de um novo olhar metafórico, a depravação de
um despejar da coisa cheia em sua forma vazia.
Deixaria como peso para os ombros, aquilo que futuramente chamaram de
poetas. E sob o olhar das ditas Igrejas, a lançaria pastores cuja função
determinante será a de apascentar homens como se fossem ovelhas.
E agora o tempo vai partindo. Acrescentando ao que há de vir,
aparelhos digitais e mecânicos que consumiram toda a vida que vier a existir,
pois nesse instante, eis que tudo se fez novo e o que era velho não existe
mais.
Kleberson M.
Kleberson M. (Kleberson Marcondes) é de Pindamonhangaba/SP, nascido em 1989. Estudante Técnico Jurídico no Centro Paula Souza. Amante de Nietzsche e apaixonado por F. Scott Fitzgerald, carrega ainda uma paixão avassaladora por Nirvana, Pitty, Cazuza e Janis Joplin. Sonhador convicto encontra no ofício de escrever, uma válvula de escape para expressar aos poucos como enxerga o mundo, as pessoas, os detalhes. Encontra nas crônicas o evangelho do ser humano contemporâneo, nos contos a fantasia que as pessoas esqueceram e na poesia, notas e partituras, o meio da existência. Filho do mundo, poeta dos incoerentes e observador dos devaneios, já que isso é onde todos se encontram.
Visitem seu blog: Kleberson M. ou adicione ele no twitter: @klebersonm__
Gostaram,pessoal!
Então não deixem de comentar!!
Bjs!!!
3 comentários
Seus posts sempre são indicações fortes e instigantes de leitura e aprendizado! Obrigada! Abraço, Célia.
ResponderExcluirforçando a leitura,otimo flor!!
ResponderExcluirwww.chatofbeauty.blogspot.com
SEmpre impressionantes seus textos. Sou abro um parênteses para ... "tudo se fez novo e o que era velho não existe mais ... "
ResponderExcluirO que era velho pode até existir só que muitas vezes não sabemos aode ficou guardado.
Beijos
Irene Moreira
Obrigada pela visita! Sua participação é muito importante.