Todo dia, acordar cedo. Tendo ou não o que fazer; trabalhar, estudar, limpar a casa e tudo aquilo que o homem precisa fazer, para atestar que está vivo. Crescemos e assumimos responsabilidades e nos tornamos longe de nossas purezas, inocências, pois simplesmente, isso não é mais enxergado, encarado como também, parte nossa. Temos nos tornado cada vez mais adultos e deixamos de lado, nossa criancice, ou o que chamaria os poetas, cronistas e juventude transviada, de porra-louquice.
Seremos aplaudidos pelo que fizemos e não teremos um abraço amigo caso não fizermos certo alguma coisa na vida. Tudo virou comércio e só temos direito a um sorriso, se fizermos por merecer. Adultos acham desnecessários os sorrisos, os aplausos, a admiração por alguma coisa que não lhe é dedicada.
Nossa delicadeza é vista como que se não tivéssemos aprendido a crescer. Lotar consultórios terapêuticos é a única saída para mim, você e eles que sonham demais, esperamos demais... Passamos a faze que imaginação era necessária, agora temos que engolir os contratos, as contas, os desaforos. Sem o colo de mão no final do dia, nos contentamos com a dor de cabeça quase que diária em cima de um travesseiro. Salvo a quem se casar, poderá dividir o dia com um marido ou sua esposa, mas sem esperar por muitas palavras doces, pois tudo é tratado cientifico. Não temos mais o conto ao terminar a noite e a luz só se apaga se levantarmos da cama. Se o cobertor cair, passamos frio se não esticarmos os braços para fora da cama. É que agora, tomamos o habito de trancar as portas.
Brincar está proibido. Deixamos os filhos na escola, mal tomamos um café decente, encaramos o mundo, senão ele nos derruba. Antes, ao cair, alguém ria e a gente chorava de vergonha. Agora, cair é sentença. Somos obrigados a mantermos de pé, mesmo quando o chão nos é a única saída, senão, pisarão em cima de nós e tudo que conquistamos. Lembra? Tudo virou comercio. Estamos nos vendendo aos poucos, porque antes a gente se trocava, mas ao terminar o dia, éramos devolvidos a nós. Hoje somos dados sem receber nada em troca. Reservaram-nos os momentos das trocas, mas nunca mais somos devolvidos e a gente se perde e é esquecido num estoque qualquer; num escritório qualquer; atrás de um balcão qualquer...
Como diria Martha Medeiros: “Todo resto é tudo que ninguém aplaude e ninguém vaia, porque ninguém vê.” E assim, vamos vivendo, o que era para ser cada coisa de uma vez trocou e passou a viver tudo de uma só vez, engolindo a força nos estranhezas e calando a boca, se é que temos um pouco de sanidade. Tudo porque crescemos.
Kleberson M.
Sobre o autor:
Kleberson M. (Kleberson Marcondes) é de Pindamonhangaba/SP, nascido em 1989. Estudante Técnico Jurídico no Centro Paula Souza. Amante de Nietzsche e apaixonado por F. Scott Fitzgerald, carrega ainda uma paixão avassaladora por Nirvana, Pitty, Cazuza e Janis Joplin. Sonhador convicto encontra no ofício de escrever, uma válvula de escape para expressar aos poucos como enxerga o mundo, as pessoas, os detalhes. Encontra nas crônicas o evangelho do ser humano contemporâneo, nos contos a fantasia que as pessoas esqueceram e na poesia, notas e partituras, o meio da existência. Filho do mundo, poeta dos incoerentes e observador dos devaneios, já que isso é onde todos se encontram.
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