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Cachola Literária

Uma declaração de amor ao mundo mágico dos livros


Segredos são como fantasmas, nos assombrando e nos fazendo crer que são reais.
Todos têm os seus fantasmas .
Laura tem os seus e há um ano que eles não a deixam dormir. A solução é passar seu tempo lendo poesias, admirando suas rosas florescerem e as estrelas no céu.
Nada pode ser mais seguro do que isso. Até que um jovem misterioso surge em sua vida, virando-a de ponta cabeça.
Em uma noite particularmente quente para o inverno, o destino uniu dois corações que não estavam prontos para o amor. Um não tinha mais tempo para isso, o outro era jovem demais para se apaixonar.
Uma história sobre o valor do tempo, o resultado de nossas escolhas e como o amor pode transformar vidas. Mesmo aquelas que já não acreditam mais em milagres.


Meu primeiro contato com Cinthia Freire foi através do livro Meu Erro, primeiro volume da série Segredos. Lembro-que na época, isso não faz nem tanto tempo assim, eu fiquei completamente encantada com sua escrita e a forma como ela desenvolve suas histórias. Não foi diferente com esse spin-off. Apesar de se tratar de uma história curta, pois estamos falando de um conto, Minha é apenas uma pequena amostra do que Cinthia Freire é capaz de fazer.

Como uma de suas características principais Cinthia nos apresenta um romance com muito drama e personagens encantadores. A trama gira em torno da história de amor de Laura e Christopher, pais de Gabriel, nosso garoto-problema mais amado de todos, protagonista de Meu Erro.

Laura é uma linda jovem que não têm muitas esperanças no que diz respeito à vida, já que ela possui uma doença grava no coração impossibilitando-a de fazer coisas comuns da idade. Apaixonada por poesias Laura passa a maior parte do tempo lendo e/ou escrevendo poemas, além de ser amante das rosas. É através dos versos de seus poemas prediletos que Laura externa todo seu sofrimento. Laura vive com os pais numa casa bem simples numa pequena cidadezinha do interior. Mesmo que assombrada pela morte, Laura é uma menina muito forte que não fica se lamentando, ainda que as condições não lhe sejam favoráveis. Mas o destino de Laura não está fadado ao sofrimento e a solidão. 

Christopher é um jovem inglês que está de passagem pelo Brasil. Nunca passou pela sua cabeça passar férias em terras tupiniquins, mas seus pais praticamente o obrigaram. A cultura do país, o idioma, os costumes, tudo é muito novo para Christopher. Os diálogos com o primo são bem engraçados já que o choque de cultura entre ambos é notável. O primo é baladeiro e mulherengo nato, já Christopher é bem mais contido. Na primeira saída com o primo, Christopher toma um porre e fica completamente bêbado. É nesse momento que ele conhece Laura. Como de costume Laura está em seu jardim observando as rosas e lendo seus poemas em voz alta. O primeiro contato de Laura e Christopher não é exatamente um encontro romântico, mas desperta interesse suficiente para que Christopher passe a notar Laura com mais atenção.

A partir daí é que a mágica de Cinthia acontece. Passamos a conhecer mais um pouco sobre cada um dos personagens. Começamos a compreender o motivo pelo qual Christopher acaba se tornando um homem de pouca fé, rude, agressivo com a família. Passamos a acompanhar o surgimento de um sentimento forte que os une e o desenrolar dessa história que promete arrancar lágrimas e muitos suspiros.

Fiquei completamente encantada com tanta delicadeza e sensibilidade. Cinthia soube conduzir a história com leveza ainda que Laura estivesse condenada à morte. O amor e a devoção de Christopher são comoventes. Laura é uma personagem admirável e encantadora. E o que dizer de Christopher? Além de lindo, ele é aquele tipo de personagem que faz o leitor se apaixonar imediatamente. Um rapaz de bom caráter, educado, gentil, vaidoso, estamos falando de um típico "lorde" inglês, né pessoal. Têm como não se render?

Apesar de estarmos falando de um conto, Minha possui um número considerável de páginas. Dessa forma, o leitor têm a oportunidade de se deleitar um pouco mais com a história de Christopher e Laura. Minha é um livro dedicado aos amantes de um bom romance, àqueles que não dispensam uma boa história de amor somada à uma generosa dose de drama.

É um livro para ser lido em pouco tempo, talvez em menos de uma hora, se você for como eu, que ao me deparar com uma boa história, só paro quando chego ao final. Cinthia é dessas. Ela têm o poder de nos enfeitiçar com sua escrita impecável e envolvente; um talento irremediavelmente incontestável.

Indico a leitura de Minha a todos os fãs do gênero e recomendo que leiam Meu Erro também. Lembrando que esse conto pode ser lido separadamente sem problema algum, já que se trata de histórias independentes, mas fica a dica para que todos possam conhecer a magia que está por trás das histórias da autora.

Lembrando que ontem, dia 07 de fevereiro, foi lançado na Amazon o segundo volume da série Segredos intitulado "Minha Rendição". Esse livro contará a história dos personagens Vinícius e Poliana. Já comecei a leitura e posso adiantar que vêm lacre por aí. Estou amando e já não vejo a hora de ler o terceiro volume. 
Leia a resenha de Meu Erro aqui e adquira os livros Minha e Minha Rendição agora mesmo. Tenho certeza que vocês irão amar. "Minha" leva cinco estrelas e mais um coraçãozinho para a lista de favoritos.



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FICHA TÉCNICA
Título: Minha (Conto da Série Segredos)
Autora: Cinthia Freire
E-book: Amazon
Ano: 2016
Páginas: 173


Sobre a autora
Paulista, apaixonada por romances, pipoca, chocolate e sorvete.
Escritora por amor, adoro as mil formas com que um bom romance pode ser contado e a magia por trás disso.
Autora de Antes dos Vinte, Um Novo Amanhecer e da Trilogia Segredos.
Mora em São Paulo com o marido, duas filhas e Jack seu filho de quatro patas.

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Eu não sou da paz. Não sou mesmo não. Não sou. Paz é coisa de rico. Não visto camiseta nenhuma, não, senhor. Não solto pomba nenhuma, não, senhor. Não venha me pedir para eu chorar mais. Secou. A paz é uma desgraça. Uma desgraça. Carregar essa rosa. Boba na mão. Nada a ver. Vou não. Não vou fazer essa cara. Chapada. Não vou rezar. Eu é que não vou tomar a praça. Nessa multidão. A paz não resolve nada. A paz marcha. Para onde marcha? A paz fica bonita na televisão. Viu aquele ator? Se quiser, vá você, diacho. Eu é que não vou. Atirar uma lágrima. A paz é muito organizada. Muito certinha, tadinha. A paz tem hora marcada. Vem governador participar. E prefeito. E senador. E até jogador. Vou não. Não vou. A paz é perda de tempo. E o tanto que eu tenho para fazer hoje. Arroz e feijão. Arroz e feijão. Sem contar a costura. Meu juízo não está bom. A paz me deixa doente. Sabe como é? Sem disposição. Sinto muito. Sinto. A paz não vai estragar o meu domingo. A paz nunca vem aqui, no pedaço. Reparou? Fica lá. Está vendo? Um bando de gente. Dentro dessa fila demente. A paz é muito chata. A paz é uma bosta. Não fede nem cheira. A paz parece brincadeira. A paz é coisa de criança. Tá uma coisa que eu não gosto: esperança. A paz é muito falsa. A paz é uma senhora. Que nunca olhou na minha cara. Sabe a madame? A paz não mora no meu tanque. A paz é muito branca. A paz é pálida. A paz precisa de sangue. Já disse. Não quero. Não vou a nenhum passeio. A nenhuma passeata. Não saio. Não movo uma palha. Nem morta. Nem que a paz venha aqui bater na minha porta. Eu não abro. Eu não deixo entrar. A paz está proibida. A paz só aparece nessas horas. Em que a guerra é transferida. Viu? Agora é que a cidade se organiza. Para salvar a pele de quem? A minha é que não é. Rezar nesse inferno eu já rezo. Amém. Eu é que não vou acompanhar andor de ninguém. Não vou. Não vou. Sabe de uma coisa: eles que se lasquem. É. Eles que caminhem. A tarde inteira. Porque eu já cansei. Eu não tenho mais paciência. Não tenho. A paz parece que está rindo de mim. Reparou? Com todos os terços. Com todos os nervos. Dentes estridentes. Reparou? Vou fazer mais o quê, hein? Hein? Quem vai ressuscitar meu filho, o Joaquim? Eu é que não vou levar a foto do menino para ficar exibindo lá embaixo. Carregando na avenida a minha ferida. Marchar não vou, ao lado de polícia. Toda vez que vejo a foto do Joaquim, dá um nó. Uma saudade. Sabe? Uma dor na vista. Um cisco no peito. Sem fim. Ai que dor! Dor. Dor. Dor. A minha vontade é sair gritando. Urrando. Soltando tiro. Juro. Meu Jesus! Matando todo mundo. É. Todo mundo. Eu matava, pode ter certeza. A paz é que é culpada. Sabe, não sabe? A paz é que não deixa.
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O início era a Palavra, verbo que se fez chama. E o frio tornou-a terra e ar pleno de vapores e águas evoladas. As vozes primevas vieram do mar, gozo de almas fecundadas pelo lume do sol. Então, a Palavra pôs a roca do tempo a girar seu fuso dourado por fios a se partirem e a formar outros vindos de outrem enquanto vida ali houvesse. Os seres evoluíram nas terras, oceanos, ares e éteres. O planeta tornou-se verde de luxuriantes florestas, alvo de neve e nuvem, amarelo de areias tórridas, vermelho de barro amolecido, negro de fertilidades, azul de ares e mares refletidos: caleidoscópica nave a abrigar viajantes que nasciam, cresciam, geravam e ao nada retornavam por todos os seus poros e reentrâncias. A esfera terrestre circum-navegou milhões de vezes até que a Palavra enviou falanges de anjos para fecundar e serem fecundados por aqueles que seriam conhecidos pelos nomes de Mãe e de Pai. Uma nova raça formou-se e a boa nova foi levada nas asas dos ventos solares aos recantos mais longínquos do espaço e das dimensões. Mas – essa é a lei – toda a criação caminha para sua própria destruição e, assim como a vida pressupõe a morte, o Caos, ao saber do nascimento daquela nova raça, encheu-se de cólera e transportou-se ao planeta azul. Horrorizado, deparou-se com aqueles que manipulavam o fogo. Imerso em ódio, bradou: “- Malditos sejam os que dominam o fogo, pois têm, como destino, desvendar os segredos do Conhecimento!” Então, do incomensurável vazio que havia em seu próprio ventre, retirou o pai de todos os demônios e lhe disse: “- Medo, tu que és destruidor dos mundos, multiplica-te no coração deles, até que nada mais reste senão a areia que lhes cobre os pés”. Num átimo, Medo percorreu a Terra a conspurcar ventres e corações. A par desse infame trabalho, iniciou a geração de seus filhos e, ao fim de três sóis e quatro luas, havia se multiplicado em Orgulho, Luxúria, Avareza, Vaidade, Inveja e Preguiça que bailavam, em espirais ensandecedoras, na estranha melodia dos ossos e das serpentes. Foi então que nasceu a filha dileta do Medo, e Guerra alastrou-se pelo mundo com a velocidade da peste. Aqueles que matavam pela necessidade da fome encontraram prazer ao ver o sangue dos seus irmãos. Filhos voltaram-se contra seus pais, mães afogaram suas proles nos rios, tribos inteiras arderam em chamas enquanto outras festejaram sobre os cadáveres dos seus inimigos. Não se sabe quantas vezes o sol assistiu ao morticínio, mas, ao fim de muitos ciclos, somente os Homo Sapiens Sapiens sobreviveram ao conflito. O Caos que, ao lado da Palavra, assistia com prazer ao triste espetáculo, antevia a sua vitória quando, de súbito, um raio de compaixão atingiu o globo inteiro. A Palavra fez-se ave pleniluminada e penetrou na garganta e no ouvido dos que ainda respiravam. Eles começaram a falar e a compreender os lamentos de seus irmãos. De suas bocas, começaram a sair os demônios através de recém criados vocábulos, frases, orações, períodos que traduziam suas dores e lhes aliviavam os corações. A Guerra, então, recolheu-se ao ventre de seu pai. Os anjos já festejavam o triunfo da Palavra, quando o Caos vociferou aos sobreviventes: “- Dentro vós, malditos, Medo e seus filhos criaram um vazio que, em vão, tentareis ocupar com os prazeres e dores do mundo. Os demônios hão de vos espreitar nas sombras, confundir-vos-ão com as falas dos falsos profetas e semearão a mim, o Caos, em vossos corações. Então Guerra há de vos dizimar até a extinção de todos os vossos filhos!” A Palavra deixou que o Caos se manifestasse e, após, fez-se ouvir, qual a brisa que antecede a primavera: “- Eu sou a vida que há em vós, posto que tendes, através de mim, o poder de expulsar o mal do mundo e das dimensões. O vazio que os demônios criaram em vossos peitos, nomeai-o Desejo. Por conta dele, experimentareis sofrimentos e, a partir de hoje, transmiti-lo-eis aos vossos descendentes. Multiplicai-vos, até que possais retornar ao meu convívio sem portardes os demônios e o vazio do Caos.” E assim os homens receberam o dom de materializar o éter dos sentidos e dos sentimentos através dos vocábulos. Depois disso, Guerra voltou milhões de vezes do ventre do Medo e separou os homens em bandeiras, línguas, raças, credos e poderios – civilizações nasceram, resplandeceram e pereceram qual gotas de luz na escuridão. Assim será até que a Palavra expulse o Caos que há em nós. Anderson F. Brandão é professor universitário, contista e ensaísta.
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Oi, eu sou Zilda Peixoto! Comando a Cachola desde 2009. Aqui compartilho um pouquinho sobre meu universo particular: resenhas de livros, séries, filmes, música boa, paixão por plantas, pugs, decoração afetiva, maternidade real e o que mais der na cachola..rs.. Sejam muito bem vindos!!!

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