Pages

  • INÍCIO
  • ÍNDICE DE RESENHAS
  • PROMOÇÕES
  • SEJA PARCEIRO DO BLOG

Cachola Literária

Uma declaração de amor ao mundo mágico dos livros

Do mesmo autor de O Menino do Pijama Listrado, Noah Foge de Casa (Noah Barleywater Runs Away, no original) é lançado no Brasil. O segundo livro infanto-juvenil de John Boyne já está em pré-venda na Livraria Cultura, com previsão de lançamento para 15/09. A capa original foi mantida na edição da Companhia das Letras.
Share
Tweet
Pin
Share
Sem comentários

Autor de uma das mais respeitadas obras-primas da literatura infantil, C.S.Lewis foi um dos escritores mais influentes do século XX. Com mais de 30 livros publicados, o irlandês obteve sucesso internacional com uma reverenciada obra que aborda temas do universo infantil, da teologia e da mitologia, permitindo-lhe atingir um público diverso.

Não é novidade que os irlandeses são muito bem representados na literatura mundial. Ora vejam lá: Joyce, Wilde, Beckett… Só até aí já é uma excelente desculpa para chegar até o pub mais próximo, levar ao alto uma Guinness e brindar às letras das terras cristãs de São Patrício. 

Terras tão cristãs que a sua doutrina influenciou não somente a literatura de um homem, como também todo o seu curso em vida. Não se trata de religiosidade, mas sim de um homem cujo espírito era inquieto. Não se trata de fé cega, mas sim de um homem que quis entender essa fé que insistiu em bater-lhe ao peito e cravar-se-lhe na mente. E partilhou suas questões e visões do mundo a partir da rocha doutrinária que um dia apeteceu seu coração. Este é um retrato possível do irlandês C.S. Lewis.
Se os céticos julgam C.S.Lewis pela sua insistência em revirar o cristianismo em suas linhas, culpem outro gênio: J. R. R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings). Pois foi ele quem converteu Lewis – seu amigo íntimo – à fé cristã. Os dois se conheceram na University College, em Oxford, e tornaram-se inseparáveis, influenciando um ao outro ao longo de suas vidas.

Há quem muito se incomode com a preferência espiritual de alguns autores. Cá entre nós, isso não tem a menor importância quando se trata da competência literária desses autores. Uma pena, no entanto, que Lewis foi ofuscado por seu querido amigo. E sabia que assim seria ao se arriscar na esfera religiosa, ainda que de maneira abstêmia e serena. No caso de C.S. Lewis, competência é um termo tímido ao referir-se ao legado que nos deixou. Pensamentos, estudos, ensaios e uma rica literatura que trata de forma brilhante as questões mais complexas: as relações do homem com o próximo, com Deus, com a natureza e consigo mesmo.


Um homem inteligente como C.S.Lewis tinha de ter uma imaginação monstruosa. E foi com ela que conseguiu unir dois universos de maneira sutil e inesperada, ao escrever a série As Crônicas de Nárnia (The Chronicles of Narnia) – baseada na doutrina cristã. Não se trata de literatura cristã, mas contém referências bíblicas ao longo de toda a narrativa da terra mágica de Nárnia.
As Crônicas de Nárnia
As histórias são tão sensacionais – não somente pela criatividade do autor, como também pela sua propriedade literária – que renderam a Lewis o título de um dos maiores escritores do século XX. Obtiveram sucesso desde o lançamento do primeiro de sete volumes, em 1950. Da série já se venderam 100 milhões de cópias, em mais de 40 idiomas, ao redor de todo o mundo.
O que chama a atenção em Lewis é a serenidade e seriedade com a qual trata a espiritualidade. Mesmo sendo ávido por entender sua própria fé, e o Deus no qual acreditava, Lewis não usava sua pena para a pregação, mas sim para dialogar acerca de suas particulares impressões e crenças à luz bíblica. E, obviamente, compartilhou seus entendimentos e dúvidas não somente com os cristãos, mas com um público além dos limites do cristianismo.
Dizia que não se pode acreditar em algo que não se conhece; não se pode adorar a um Deus se Dele nada se sabe. Da mesma forma que afirmava ser incoerente criticar e negar a um Deus se, do mesmo modo, nada se sabia sobre Ele. E, desse modo, com o estudo bíblico fundamentou todos os argumentos de uma vida admirável. Sua célebre frase: “Você não tem uma alma. Você é uma alma. Você tem um corpo.” fundamentou sua obstinação por entender sua fé e, assim, cuidar de seu espírito.
Mas sua influência foi além da fronteira religiosa e espiritual, como um notável intelectual da teologia. Dedicou-se à crítica literária e aos estudos acadêmicos, ocupando a cadeira de Literatura Medieval e Renascentista na Universidade de Cambridge, com uma respeitável carreira.
Dos livros, a imaginação de Lewis foi parar nos cinemas, com a série As Crônicas de Nárnia, sendo o primeiro volume o fantástico O Leão, o Guarda-Roupa e a Feiticeira. Também para o cinema, em 1993, o ator Anthony Hopkins interpretou C.S.Lewis no longa britânico Shadowlands.
Suas obras continuam a atingir um vasto público. Seus principais escritos incluem Fora do Planeta Silencioso, Os Quatro Amores, As Cartas do Inferno, e Cristianismo Puro e Simples.
Lewis morreu em novembro de 1963. Seu túmulo está no pátio da Igreja da Santíssima Trindade, em Headington Quarry, Oxford. Em seu túmulo está escrito: “Os homens devem suportar as partidas”.
C.S.Lewis passou de um convicto ateu a um dos escritores cristãos mais influentes do século XX. Enfrentava suas próprias guerras espirituais com distinta coragem, desafiou uma fé que excede toda a compreensão, foi generoso com seu conhecimento, partilhando-o num legado de sabedoria. E, mais espetacular, frequentava pubs ao lado de Tolkien. Foi, de fato, uma bela caminhada: “Eu pensava que nós seguíamos caminhos já feitos, mas parece que não os há. O nosso ir faz o caminho.” (C.S.Lewis)

Share
Tweet
Pin
Share
2 comentários
O título desse livro que reúne as conferências do escritor alemão W. G. Sebald – Guerra Aérea e Literatura – coloca uma espécie de relação não muito evidente.  Nascido em 1944, quando a Segunda Guerra Mundial terminava para os alemães, Sebald foi um judeu marcado pelo regime nazistaa posteriori, isto é, apesar de não ter vivenciado a perseguição propagada pelo governo hitlerista, sofreu na pele os ecos dessa política de extermínio, como uma violência cuja memória ele não guarda. Mais que isso: viveu numa Alemanha que buscava desesperadamente um discurso do esquecimento e do progresso, camuflada sob o álibi da culpa, incapaz de entender todo o sofrimento causado pela Guerra, inclusive aos próprios alemães (não à toa, essa situação se tornará insuportável, e ele irá radicar-se na Inglaterra durante os anos 1960) .
É esse o problema que Sebald busca compreender a partir da constatação de que não houve nenhuma obra da literatura alemã do pós-guerra que trabalhou os bombardeios contínuos que todo o território sofreu pelos aliados, em especial, os ingleses. Para compreender essa questão, é preciso ter ciência do tipo de estratégia empregada pelos generais de Winston Churchill, chamada area bombing. Trata-se não de destruir pontos-chaves para a subsistência alemã – fontes de combustível, regiões de plantio, torres de comunicação, aeroportos, etc. -, estratégia que como Churchill mesmo sabia, poderia render o governo inimigo mais rapidamente; mas de empregar uma devastação em massa em todo um território, indiscriminadamente, através de um bombardeio incendiário contínuo.
O que estranha Sebald é a falta de uma produção literária que tenta abarcar a visão dessa enorme destruição causada às cidades alemãs, já que praticamente toda a população havia experimentado tal horror. As labaredas que atingiam cinco andares de altura, o calor que expandia tão rapidamente que fazia a água de rios e lagos tornar-se incandescente,  temperaturas acima dos 1000 C° que transformavam pessoas em poeira, o vento causado pela expansão do ar que chegava a 150 km/h, etc, não encontra lugar na produção pós-guerra, na chamada Geração de 45. Quando isso ocorre, dirá Sebald, são autores à margem (escritores suíços, exilados, imigrantes ou cosmopolitas, como o caso de Elias Canetti)  ou tremendas exceções pouco lembradas e livros publicados apenas posteriormente, por intuição do próprio autor (caso notório aqui é  O Anjo Silencioso de Heinrich Böll, escrito nos anos 1940, mas publicado apenas em 1992. Outro autor de Sebald evoca continuamente é o de Alexander Kluge). Isso se devia, principalmente, ao discurso progressista alemão após o fim da Guerra e com a chegada do “milagre econômico” gerado pelo Plano Marshall norte-americano (Sebald evoca muito bem isso através da fotografia, da propaganda e do cinema da época). Some-se a isso uma espécie de culpa, que impedia os alemães de se verem como vítima, assim como denuncias aos britânicos como praticantes de extermínio em massa (assim como não se toca na culpabilidade norte-americana pelas devastações em Hiroshima e Nagasaki). Longe de Sebald colocar os alemães e os judeus no mesmo patamar: no entanto, é preciso enfrentar o fato de que os alemães também foram vítimas, mesmo que a causa inicial seja eles mesmos (e aqui parece impressionante a omissão total de um nome como Gunter Grass, que trabalhou tão bem essa questão em livros como Passo de Caranguejo).
Na segunda e terceira parte, Sebald muda levemente a questão para mostrar que mesmo nas obras literárias que tentam exibir esse tema, há uma espécie de “falsificação” e de “adornamento” da questão. Obras de Hermann Kasack, Hans Erich Nossack, Peter de Mendelssohn e Arno Schmidt são lidas aqui. Apesar de, em alguns momentos, o argumento parecer frágil – Sebald exige uma espécie de um grau zero de representação dos fatos, mesmo que esses sejam “irrepresentáveis” –, ele ganha força quando o autor apela para um fator muito simples e muito violento: a retórica que essas obras apresentam  para dar conta da violência da Guerra na Alemanha tem grande dívidas com a própria retórica nazista. Sebald apresenta comparações brilhantes nesse ponto, ainda que certamente elas merecessem um espaço muito maior e mais detido. Ele pensará na insistência de se manter certos hábitos acima de tudo como uma espécie de alienação mesmo à beira do abismo: basta lembrar as festas com música que os altos escalões nazistas faziam mesmo sob o ataque de bombas (tão bem representado no filme A Queda de Oliver Hirschbiegel). Do mesmo modo, os mesmos valores são mantidos, as mesmas formas de falar e de escrever, ainda que tudo esteja em ruínas (ou ainda justamente porque elas estão em ruínas, ruínas que ninguém quer enxergar).
Por último, como anexo, Sebald ainda mostrará um aspecto mais específico e mais horrendo dessa questão: a do autor que deliberadamente falsifica a sua própria história em prol da glorificação literária. É assim que será lido Alfred Andersch, tido como importante autor dessa geração pós-guerra. Vasculhando sua obra e sua biografia, Sebald mostrará como Andersch reconstruirá a narrativa da sua própria vida, em suas “memórias” e romances, para se colocar como um “prisioneiro de guerra”, alguém que não se submetia ao regime de Hitler, e com isso ganhar prestígio entre os autores de 45. Entretanto, o que Andersch esconde é seu próprio percurso no interior do regime nazista, as alianças (inclusive os casamentos) que vai formando para conseguir se tornar um escritor “privilegiado”. Com o fim do regime, passa para o outro lado, para o lado “vencedor”. É particularmente atroz o modo como Andersch faz usos e desusos do nome da sua primeira esposa, uma judia de família abastada (casa-se por interesse, separa-se quando vê que isso é prejudicial a sua carreira durante o Reich – quase mandando-a para os campos de concentração –, e depois volta a usar seu nome para se colocar como “vítima” no pós-guerra). Com esse texto, o mais bem estruturado da série, Sebald consegue de fato pôr em evidência seus argumentos e denuncia um problema enorme para a sociedade alemã, problema que, segundo o autor, já está despontando com novas formas de violência social.
Saiba mais sobre essa e outras obras no site da Companhia das letras

Share
Tweet
Pin
Share
Sem comentários

Monstros são tema de debate nesta sexta (2); autora dá palestra no dia 11.
Veja as diferença entre vampiros de Rice e de Stephenie Meyer.



Share
Tweet
Pin
Share
Sem comentários
Entre os 134 autores convidados para a Bienal do Livro do Rio, que começa hoje, o canadense William P. Young, 56, é certamente um dos menos publicados --só um livro seu chegou ao público.




Share
Tweet
Pin
Share
Sem comentários
"A Livraria", de Penelope Fiztgerald, vencedora do Booker Prize, e "Mrs. Dalloway", de Virginia Woolf, marcam o regresso da editora Clube do Autor às livrarias nacionais depois do Verão.



Share
Tweet
Pin
Share
Sem comentários
Próximo post

Quem escreve


Quem escreve


Oi, eu sou Zilda Peixoto! Comando a Cachola desde 2009. Aqui compartilho um pouquinho sobre meu universo particular: resenhas de livros, séries, filmes, música boa, paixão por plantas, pugs, decoração afetiva, maternidade real e o que mais der na cachola..rs.. Sejam muito bem vindos!!!

Redes sociais

  • facebook
  • twitter
  • Instagram

IG @cacholaliteraria

Facebook

Cachola Literária

Assine nossa Newsletter

Livros com Desconto

Posts recentes

STATUS DO BLOG

Domínio: Cachola Literária
Endereço: www.cacholaliteraria.com.br
Desde: 15 de novembro 2009

Seguidores

RESENHAS

Created with by ThemeXpose